Sobre o Orgulho
É engraçado o sentimento de alegria que eu sinto a cada vez
que sei que alguém sai do armário. Não precisa se amig@, conhecid@, nada disso.
Se for, a alegria é maior. Mas só de cruzar com um casal LGBT de mãos dadas na
rua o sentimento de orgulho me domina.
Duas coisas que eu não entendia bem antes de me descobrir e
assumir: o orgulho de ser LGBT e a alegria pelo movimento de assunção.
Não que eu não ficasse feliz pelos meus amig@s, não que eu
não torcesse para que el@s conseguissem se assumir, mas era diferente. Talvez
por eu não conseguir me enxergar como lésbica ou por eu estar preocupada demais
em provar que eu não era lésbica. Faltava alguma coisa para aquele sentimento
ser genuíno.
Faltava eu me apaixonar. Me apaixonar tão fortemente que
nada mais importasse. Faltava eu ter uma experiência tão transcendental que
tornasse tudo secundário. E aconteceu.
Junto com toda a alegria, com toda a paixão, com todo o
desejo, veio o medo, a vergonha, a culpa e todos os monstros que só quem vive
na escuridão do fundo do armário conhece. Quando você tá lá dentro, trancada,
tudo parece maior, tudo parece errado. Só que lá de dentro você também cria
força. E é essa força que vai ajudar a
chutar a porta e quebrar essa prisão.
O movimento de saída do armário é um misto de medo e
alegria, também vem o alívio, é como se uma pedra fosse tirada das costas.
Apesar de alguns fantasmas ainda existirem, vem uma súbita força que te faz ter
a certeza de que todos aqueles sentimentos negativos que eventualmente
projetaram em você, não são seus. O preconceito não é seu. Não mais.
E é aí que o orgulho vem, em sua forma mais verdadeira. O
orgulho de amar sem ter culpa, o orgulho de poder ser quem realmente se é, o
orgulho de não ter medo de olhar ninguém nos olhos e falar com naturalidade
sobre sua sexualidade. O orgulho de andar de mãos dadas na rua, apesar dos
olhares tortos, das bocas tortas, da covardia de quem se esconde atrás de véus
para destilar o preconceito, apesar de cada “Jesus te ama! ” que parece mais um
soco no estômago.
| Nós. E um agradecimento (tardio) à minha amada por toda a força nos momentos que mais precisei. |
Ser LGBT é viver a luta, mesmo que você não lute. É sair do armário a cada vez que conhecemos uma pessoa nova, a cada novo emprego, a cada beijo, a cada mão dada. E só tendo muito orgulho de ser quem é para não deixar essas pequenas lutas abalarem a gente.
E é esse orgulho que nos permite acolher e ajudar quem ainda
não se aceita bem.
E é esse orgulho que nos faz evoluir, cada dia um pouquinho
mais, como um pokemón.
E é esse orgulho que hoje me permite falar com alegria que
sou sim sapatão, sem medo e com muito amor no coração.
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