Sobre o romantismo
"O romantismo não combina muito contigo,
né?"
Ouvir isso não deveria me magoar, visto que eu
escolhi ser uma pessoa que controla os envolvimentos emocionais, que controla
por quem vai se apaixonar.
Parece estranho, mas é exatamente assim. Me
tornei uma pessoa que não permite espontaneidade nas relações amorosas. Parece
ridículo, e é. Talvez triste.
Desenvolvi teorias, li, entendi um pouco sobre a
construção de um amor e agora penso ter a chave para nunca mais sofrer. E para
não amar também.
Quem mais perde com isso? Eu. Que estou em paz,
segura, mas sem amor.
Saber separar o sexo do amor foi essencial,
assim eu mato qualquer carência sexual. Com a carência emocional eu me entendo. Pra isso tem família, amigos e chocolate.
Quem olha de fora deve achar estranho, mas com o
tempo eu me acostumei a ser assim. Não sei o motivo, talvez eu não tenha tido
sorte nos relacionamentos. Talvez eu tenha uma dificuldade maior de superar do
que as outras pessoas. Talvez eu tenha entendido que a vida que eu quero não
cabe ninguém. Eu aceitei isso.
Isso me leva de volta a frase do início. Se eu
sou tão bem resolvida com a pessoa que eu escolhi me tornar, por que me incomoda
tanto ouvir isso de alguém (ou alguéns)?
Não sei. Talvez porque, no fundo, bem lá no
fundo mesmo, o romantismo faça tanto parte de mim que eu preferi dominá-lo pra
não me entregar mais, para não sofrer mais.
Não é pelo que ninguém fez comigo. É por mim,
pelas expectativas que eu criei e tive que destruir. É pra me proteger da
decepção, do "de novo não".
Talvez eu tenha entendido que o romantismo só dá
certo nos filmes, que projetar no outro é pedir pra sofrer. Ninguém quer
sofrer.
Talvez eu seja covarde. Digamos que eu esteja
com excesso de romantismo no amor-próprio. Acho que me aceito assim.
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