Sobre uma nova vida
Experimentar o gosto da espontaneidade depois de tanto tempo me
faz sentir viva. Posso dizer que há muito tempo, pelo menos dois anos, não me
sinto tão bem. Não sei exatamente como fui bloqueando meu lado emocional, mas o
fiz de forma tão errada que às vezes sinto que não vivi em alguns momentos,
apenas reagi, sobrevivi. Não posso
voltar no tempo, tampouco posso negar que essa escolha me deu bons frutos.
Agora sinto como se
tivesse saindo de uma caixa lacrada, como se tivesse vendo o sol novamente
depois de um tempão no escuro, os olhos ainda doem, mas é reconfortante. E
percebo como essa tentativa de esconder quem eu realmente sou me adoeceu. Meu
corpo resolveu gritar por ajuda pra me mostrar como eu estava em um caminho
errado. Como eu estava prestes a perder a minha essência. Porque eu foquei na
coisa errada e tentei consegui-la deixando de lado quem eu realmente sou. Tem
uma sensação de vitória, misturada com liberdade e muita adrenalina por não
saber o que vem a seguir. Percebi que não ter o controle das coisas pode ser
bom.
E se não for dessa forma que estou fazendo, descobrirei outra.
O que importa é que eu tente. Que eu faça. Que eu me permita viver. E viver é tentar, é aprender e correr atrás da
felicidade. Definitivamente a felicidade não se compra. Definitivamente a
felicidade não está no ter. Agora eu vejo que está no saber viver. E quem
define a fórmula desse sucesso? Eu. Vou tentando até conseguir, uma hora eu
descubro. Talvez em seis meses eu mude de opinião, talvez não. Quando os seis
meses chegarem, eu vou saber. Por enquanto estou tentando aproveitar o momento.
E o meu momento é de mudança, dói um pouco, mas é uma dor boa, que faz crescer.
Uma dor feliz.
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